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Desde os primeiros caso de AIDS descritos em meados de 1981, a infecção por HIV tornou-se a maior pandemia do século XX e infectou 67 milhões de pessoas no mundo. Os primeiros casos foram descritos em homossexuais masculinos, previamente saudáveis, com sarcoma de Kaposi e infecção por Pneumocystis carini.

A identificação do vírus do HIV ocorreu em 1983, e em 1985 foi desenvolvido o teste para seu diagnóstico. Desde então ocorreram diversos progressos, tais como as terapias anti-retrovirais, que diminuíram substancialmente a morbidade e mortalidade da infeção pelo vírus do HIV.

Segundo os dados da OMS 70% dos casos estão localizados na África , gerando um decréscimo na expectativa de vida de alguns países dessa região. No Brasil a taxa de incidência é de 1,6 / 100mil habitantes.

A qualidade de vida dos portadores do HIV tem melhorando muito nos últimos anos com o surgimento de novas terapias mais sofisticadas e efetivas. Inúmeras pesquisas de ponta tem sido desenvolvidas com o intuito de desvendar os mistérios que circundam o HIV, e a “cura” não é apenas uma palavra de quatro letras sem significado que povoa a mente de alguns pesquisadores em HIV.

A taxa de mortalidade entre os indivíduos portadores do HIV tem reduzido consideravelmente, estando em queda cada vez mais. Isso devido sem duvida a melhora do tratamento com antirretrovirais, apesar dos seus efeitos colaterais.

Pacientes sendo tratados por um período de tempo longo usualmente desenvolvem lipodistrofia, resistência à insulina e aumento no risco de evento cardiovascular. Estes por sua vez diminuem a qualidade e contribuem para o aumento da taxa de doença cardiovascular e diabetes.

A partir da observação dos efeitos adversos advindo do tratamento convencional e sabendo desses efeitos, por que não intervir? Por que não fazer uso da metformina naqueles que desenvolvem a resistência a insulina? Assim como outros nutracêuticos com essa finalidade como por exemplo o ômega 3 e extrato de café verde.

Outro fator de fundamental importância que é esquecido na grande maioria das vezes, a RESTAURAÇÃO DO EQUILÍBRIO HORMONAL. Esta por sua vez promove a redistribuição da gordura e melhora de maneira significativa a composição corporal nos portadores do vírus HIV.

Nessa série que inicia hoje escreverei as intervenções nutricionais, nutracêuticas e lógico as hormonais que são de extrema importância e que fazem uma diferença abissal na qualidade de vida dos portadores dessa enfermidade. Deixo claro e bem claro que o tratamento convencional com os antirretrovirais é o indicado e deve ser feito por especialistas no assunto.

A INTERVENÇÃO NUTRICIONAL E NO ESTILO DE VIDA:

Sem sobras de dúvidas a otimização nutricional é de uma importância fundamental na manutenção de um sistema inume e na preservação da saúde como um todo. Entretanto vários fatores fazem disso um desafio para as pessoas HIV +. A perda de peso e a má nutrição são comuns devido a anorexia, mudanças no metabolismo, má absorção e diarreia crônica.

Sintomas relacionados ao HIV como depressão, perda de apetite, alteração do olfato e paladar ou sintomas gástricos podem abater-se nos pacientes acometidos dessa patologia podendo leva-los a não comer o bastante e dessa forma leva-los a deficiência nutricional que por sua vez leva a uma deficiência do sistema imunológico e a baixa da resistência a infecções.

É de fundamental importância a prática de atividade física para dar suporte a função imune e reduzir as anormalidades metabólicas que são relacionadas ao sedentarismo.

O ganho de massa magra deve ser estimulado a fim de reduzir a lipodistrofia. A atividade física regular está relacionada a uma a diminuição das proteínas inflamatórias, assim como redução de muitos outros marcadores inflamatórios.
AS INTERVENÇÕES NUTRACÊUTICAS NO HIV +:

Os nutracêuticos tem importante papel no paciente HIV + visto que em muitos trabalhos eles diminuem a progressão da doença, além de melhorar as co-morbidades associadas com o HIV. Em pacientes infectados pelo HIV em tratamento para tuberculose, por exemplo, o consumo por esses pacientes de vitamina A, vitaminas do complexo B e E, além do selênio, reduz o risco de recidiva da tuberculose e da diminuição significativa da incidência de neuropatia periférica (um efeito colateral comum no tratamento da tuberculose). Em um estudo feito em crianças portadoras do HIV, suplementados diariamente com vitamina A, vitaminas do complexo B, vitamina C, D e E além de acido fólico, zinco, ferro e cobre, tiveram uma melhora mais rápida de episódios e diarreia e pneumonia.
OS ANTIOXIDANTES:

Sob circunstâncias normais, os processos metabólicos corporais geram radicais livres. Em baixa ou moderada concentração, essas espécies reativas de oxigênio não são lesivas ao organismo, entretanto, em altas concentrações eles se tornam lesivas. Normalmente o organismo consegue neutralizar os radicais livres com seu sistema de defesa antioxidante. Entretanto em algumas condições pode ocorrer o aumento da produção desses radicais e criar dessa forma o estress oxidativo, uma condição em que as defesas do organismo não conseguem neutralizar os radicais livres. Como efeito dessa situação ocorre o dano celular e assim a doença.
É comum no paciente HIV + deficiência de micronutrientes antioxidantes. Níveis séricos reduzidos de vitamina E (um poderoso antioxidante) tem sido associado com o aumento do risco de desenvolver AIDS.

A suplementação de Vitamina E 800UI/dia e Vitamina C 1000mg/dia por 3 meses reduzem o estress oxidativo entre os pacientes HIV + e promovem uma diminuição da carga viral (quantidade de vírus no organismo humano). Níveis sérios elevados de vitamina E tem sido relacionado com uma progressão mais lenta do HIV. Os carotenoides também são de suma importância a cerca dessa condição.

a. A GLUTATIONA: é um importante antioxidante uma vez que parece interferir na entrada do HIV na célula alvo. A deficiência de glutationa é muito frequente em pacientes HIV +, e está associado com o comprometimento da função da célula T.

b. N – ACETILCISTEINA: tem sua importância por restaurar os níveis de glutationa, além de manter as suas concentrações, melhorar as contagens das células T e reduzir a carga viral de pacientes com AIDS avançada. Em um estudo envolvendo 81 pacientes infectados pelo HIV os quais faziam uso de suplementação com NAC houve uma significativa melhora nas concentrações sanguíneas de glutationa. O NAC é conhecido como um potente antioxidante com efeitos contra a atividade da glicoproteína 120, uma glicoproteína do vírus HIV que induz o stress oxidativo durante a infecção de macrófagos.
c. CHÁ VERDE: folhas de chá verde contém componentes chamados de catequinas, que tem uma poderosa propriedade antioxidante. A catequina mais abundante no chá verde é a epigalocatequina galate (EGCG. Em um estudo foi relatado que o EGCG liga-se a célula T e boqueia o ataque do vírus a ela. Quando o vírus HIV entra em contato com uma célula T helper em um organismo humano, a glicoproteína 120 da sua superfície liga-se ao receptor CD4 na superfície da célula T, levado a infecção. Em vários estudos a EGCG bloqueia a ligação da GP120 na célula CD4 com uma variedade de graus de inibição. Quando associado a outros nutrientes, como a Vitamina C ou Lysina, o extrato de chá verde inibe a replicação do HIV em células T infectadas.

d. ACIDO LIPIOCO: esse poderoso antioxidante tem uma ação central na defesa dos radicais livres. Ele restaura outros importantes antioxidantes, incluindo a glutationa, e diminui a sinalização intracelular que promove a inflamação. Em um estudo onde foi administrado uma dose de 300mg desse nutracêutico 3 vezes ao dia por 6 meses houve uma elevação significante nos níveis de glutationa sanguínea. Em ensaios de laboratório o ácido alfa lipoico tem sido implicado em inibir a replicação viral
e. L-CARNITINA: esse antioxidante aumenta o sistema imune, além de ajudar ao organismo converte gordura em energia. Inúmeros estudos relatam efeito positivo da L-Carnitina em pessoas HIV +, especialmente tendo efeito positivo em relação aos efeitos colaterais de certas drogas antirretrovirais. Usuários de zalcitabina, didanosina ou stavuldina frequentemente apresentam neuropatia e miopatia, esses efeitos podem ser minimizados com o uso da L-Carnitina.

A L Carnitina é conhecida por estar envolvida com a regeneração nervosa periférica. Em um estudo, Osio e colaboradores em 20 indivíduos em uso de 2.000mg de L-Carnitina por dia observou redução da intensidade da dor entre pacientes infectados pelo HIV em uso da terapia antirretroviral. Um estudo maior envolvendo 90 pacientes HIV positivos com neuropatia relacionada ao uso de antirretroviral que fizeram uso de 500mg de L-Carnitina IM 2 x / dia durante 14 dias foi observado uma significativa melhora na dor quando comparado com o placebo. Quando esses pacientes tomaram subsequentemente 1.000mg de L-Carnitina 2 x / dia por 6 semanas foi observada melhora da sintomatologia.

f. VITAMINAS: Certas vitaminas são de extremas importância por ter seu potencial valor em portadores do HIV.

VITAMINA D:
Com uma função de hormônio, a vitamina D, com suas múltiplas funções como no sistema imune, regulação do metabolismo ósseo e manutenção da homeostase do cálcio e fosforo. É comum encontramos em pessoas com HIV a deficiência dessa vitamina, além da densidade mineral óssea mais baixa que o normal. Pessoas com HIV tem um risco maior de osteopenia e osteoporose.

A deficiência da vitamina D em portadores do vírius HIV deve-se pela ação própria do vírus, assim como do efeito das drogas anti-retrovirais. Tenofovir por exemplo está associado com a redução mineral óssea assim como o aumento dos níveis do paratormônio (PTH).

Como os pacientes portadores do HIV estão vivendo cada vez mais, a prevenção da perda óssea tem que ser pensada. Alguns estudos mostram a correlação entre os níveis de vitamina D e a contagem de CD4, enquanto outros não encontraram essa correlação. Interessantemente alguns estudos que detectaram deficiência da Vitamina D em pacientes com HIV encontraram também em indivíduos não infectados níveis baixos de vitamina D. Nos Estados Unidos a deficiência de Vitamina D é muitíssimo prevalente na população geral independentemente do status soro positivo.

BETA CAROTENO (VITAMINA A): O betacaroteno um pigmento de planta encontrada em frutas coloridas e vegetais é convertida em Vitamian A no corpo. Tem um importante papel no crescimento humano, visão e no auxílio ao sistema imune. Em um estudo no qual foi dado a pessoas HIV (+) Vitamina A diariamente na dose de 100.000UI durante 4 semanas, os leucócitos subiram 66% e as células T helpers subiram discretamente. Seis semanas depois da suspensão da administração da vitamina A as medições da função do sistema imune reduziram ao nível pré tratamento.

Num estudo em Unganda que envolveu 181 crianças com HIV, a suplementação de vitamina A associou-se com uma redução da mortalidade assim como melhora na diarreia crônica e na tosse persistente. Um estudo de revisão envolvendo 6.517 mulheres com HIV na África do Sul, Zimbabwe, Malawi e Tanzania detectou que a suplementação da vitamina A entre mulheres gravidas infectadas elo HIV foram correlatados melhora no peso ao nascer, embora a revisão não encontrara nenhuma evidência que a suplementação de vitamina A aumentou da transmissão materno – fetal do HIV.

VITAMINAS DNO COMPLEXO B: Elas são responsáveis por importantes funções no organismo, incluindo função cerebral e sistema imune. Existem inúmeros trabalhos que evidenciam os efeitos benéficos da suplementação desse complexo em pessoas com HIV. Em um estudo envolvendo 281 pacientes infectados com HIV – em uso de Vitamina B6, B1 e Vitamina B2 estavam associados com uma melhora na sobrevida.
E na quarta-feira seguiremos com a segunda parte dessa série … espero que tenham gostado e um forte abraço …

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